essa história de infância feliz

dica de música, é só dar play.


agora pode ler o post.

se tem uma coisa que me irrita são esses posts do tipo "criança correndo com bola" ou "carrinho de lomba" ou "crianças jogando taco" e aquela frase "porque naquele tempo era bom", "se você conhece isso você teve uma infância feliz", sério, vão a merda. não tive nada disso e tive uma infância feliz. detesto futebol. nunca joguei taco. e obvio que ia me matar se andasse de carrinho de lomba.

quando bem novo passava tardes e tardes brincando de construir cidades e trânsito e com carrinhos num quarto específico da casa para isso, hoje estou bem preparado para o trânsito e a vida chata da cidade e da falta de mobilidade urbana. depois então descobri o videogame e foram muuuuitas tardes tentando captar o sinal da Atlantida Porto Alegre - porque a de Caxias sempre foi ruim comparada a da capital - enquanto jogava Super Mario 64, Goldeneye 007 e Pokemon, claro, sempre depois de ter feito os temas do colégio.

normalmente no meio da tarde para o final eu durmia, e no final do tarde começava algum jogo novo no Age of Empires, ou The Sims, ou Roller Coaster, e ficava umas três horas jogando, foi ai que aprendi inglês. Depois de um tempo veio a internet, meus sites preferidos eram do Beto Carrero e da Turma da Mônica, sério. Mas o legal dessa época da internet foi descobrir como era trabalhar com um computador que tinha tipo se não me engano 4GB de HD e 256mb de RAM, tem noção disso, eu não. ai eu aprendi o que sei de informática, o básico do ligar desligar cabo, como formatar, limpar, organizar um HD, instalar programas, testar programas, baixar música, e tudo isso com a paciência da internet discada que tinha que usar de madrugada para não ocupar o telefone. isso sim foi uma infância difícil. uma das diversões era fazer programa de rádio no computador com o gravador de aúdio do próprio computador, era uma merda, mas era divertido.

a noite usava para continuar os temas, normalmente a tarde fazia trabalhos que precisavam mais espaço na mesa e sujava a casa, e ia ler alguma coisa, foi ai que Harry Potter abriu um mundo de oportunidades, viagens e conhecimento para a vida.

claro, teve o escotismo que me levou para a rua, ia acampar, fazer jornadas, quase morri na primeira que fez que foi para a gruta da 3Légua. e me lembro também de um acampamento volante para monitores que eu não sei até hoje como cheguei ao fim. aqui na frente de casa também tinha uma árvore que eu vivia subindo, descendo, caindo, dai chovia ou fazia frio e eu vinha para casa jogar videogame, ver TV, ficar na internet e ler. e tinha tambem um terreno baldio no lado de casa, hoje 'a casa do vizinho', que eu ia la volta e meia buscar o cachorro que fugia ou alguma bola perdida de alguma RARA vez em que eu saia na rua com os vizinhos. mas esse contato era tanto que hoje eu não sei o nome deles e só conheço os poucos vizinhos que são conhecidos da família toda, ou então o que levamos para o Grupo Escoteiro e hoje é lobinho.

teve depois uma época, quando eu já saia de casa sozinho, em que eu almoçava na casa da minha tia e dai a tarde resumia-se em almoçar e passar o dia assistindo Fox Kids, de Três Espiãs Demais a Power Rangers, fazer temas e dormir. e então outra época da vida em que eu passava a semana toda na escola, quando ainda não existia aquela história de 'atividade no turno inverso da escola', eu já fazia isso sem precisar. ia para o colégio fazer os temas, marcávamos de fazer trabalho na biblioteca, ninguém queria trazer o pessoal para sua casa, e sempre fomos queridos pelos professores, isso durante o ensino fundamental. tinha o Coral, Orquestra de Flauta, Basquete (acredite, eu fiz basquete), ajudar colegas com uma espécie de aula particular ajudando em algumas matérias, aprendendo a ler partitura e ensaiando, mas sempre foi divertido ir para o colégio de tarde. no ensino médio já começava a história de fazer trabalho na casa dos colegas, principalmente porque nesse período começava a mania de fazer trabalhos em vídeos, o que precisava maior produção - leia-se 'bagunça' - para fazer o trabalho, o que no colégio não dava muito certo. foi ai que conheci o movie maker e bom, o resultado vocês conhecem hoje.

o escotismo é o que permitiu um convívio social maior, afinal colega de turma é colega, amigo é diferente. o que o escotismo oportunizou foram realmente amigos, com aquela confirmação de que companheiros de patrulha na sua infância realmente viram irmãos no futuro. nesse período infanto juvenil escoteiro foram muitas reuniões de patrulha, desde planejar acampamento, jogar videogame, atualizar caderno de patrulha ou simplesmente reunir escoteiros para falar de escotismo, nada muito diferente de hoje. e de uma coisa não tenho dúvidas, se não fosse o escotismo ai sim seria um nerd 100%.

mas em resumo, foi uma infância de muita televisão, videogame, computador, internet, livros, temas, trabalhos, videogame, música, ar livre escoteiro, vida em patrulha, manhãs e tardes no colégio. mas nada dessa coisa que tanto teimam em postar em redes sociais como "infância feliz se não foi assim você não foi feliz". e o que mais irrita é ver gente que hoje tem tipo 13 anos compartilhando isso. sério, 13 anos... com 13 anos eu era feliz fazendo maquete de geografia e história pro colégio.

enfim, sem preciosismos de infância feliz com posts anti-internet. depende muito de cada um. não tive essa vida de brincadeira de rua, fui e sou feliz com o que fiz na infância e realmente me moldou o que sou hoje.  o que escrevi aqui é algo que sempre penso quando vejo esses posts mas nunca tinha colocado 'no papel' e como agora estou procrastinando um vídeo que preciso terminar, achei uma boa opção voltar aqui no blog que precisou quase de uma RCP para voltar.

tchau!


quando paro pra pensar

podem me chamar de chato

mas generalizando parece que tudo se resume apenas ao final de semana, ver quem fica mais bêbado, quem vomita antes, quem pega quem, tudo tão artificial e ao mesmo tempo tão real. artifical porque não leva a nada, não acrescenta nada. real porque acaba sendo a (triste) realidade. sim, triste. OK, não pode generalizar, tem vezes que tudo começa bem, mas sabe-se que lá no meio em diante sempre termina assim.

na verdade é só um momento de insônia, com alguns pensamentos perdidos da semana, mas que se ficam o tempo todo guardados parecem não fazer o mesmo sentido. sei lá... acho que o dougie tem toda a razão quando diz que "o silêncio é um som assustador"



banho de cachoeira



Se tem algo que me fascina, são cachoeiras. Elas passam aquela sensação de limpeza, de renovação, de algo que esta sempre mudando mas sem deixar de perder a beleza. Ou então, mesmo em dias de frio, calor, chuva, sol, neve, gelo, vento, não importa, continua sempre ali, na mesma atividade de sempre, recebendo mais água, deixando cair mais um monte. E tomar um banho de cachoeira, a agua extremamente gelada, limpa, caindo forte, não tem como comparar com nenhuma chuva normal. Seja essa aquele ininterrupta no horario de sair do trabalho, ou um temporal daqueles que chega de surpresa e nenhum guarda chuva serve. Em uma cachoeira é como se fosse um chuveiro no frio que estragou na potencia maxima, mas que no fim tu toma banho igual porque acaba se acostumando com a agua.


Nao lembro a ultima vez que tomei banho de cachoeira (literalmente ou por tabela), mas sei que teve uma que eu resbalei nas pedras, cai um baita tombo, perdi o oculos, fiquei tonto, mas ninguem viu nada acontecer...  é, as vezes pode ser perigoso.

Nesse espirito de renovação, de limpeza, de fazer as coisas que passam mudarem, mas o principal continuar no lugar, para terminar o ano acho que todo mundo devia tomar um banho de cachoeira. Ou um genérico, banho de chuveiro imaginario, banho de chuva, guerra de bixiguina, banho de mangueira... em resumo, aguas passadas.



No onibus agora, descer daqui uns 10min, e sim, se nada mudar nesse tempo, um banho de chuva me espera. Porém, não posso reclamar, eu gosto. Se eu realmente não quisesse me molhar teria saido de casa com um guarda chuva.

Mas isso é muito normal, e qual a graça em ser normal, né?



 A cachoeira das fotos é essa do vídeo abaixo

Essa "coisa" de voluntariado

Ontem, ou melhor dizendo hoje, era 3h15 e estava editando o vídeo da APAE. Pessoas normais dormem a essa hora, principalmente na noite de domingo para segunda. Ser normal é chato. Enfim, nessa hora da madrugada comecei a pensar em como explicar essa 'coisa' de voluntário. Considerando que já era bem tarde, não cheguei em nenhuma conclusão. Acho que seria algo tipo chocolate: vicia, faz bem e engorda. Sim engorda, porque quando tu se sente bem tu come mais, exagera no doce e nas grandes refeições e, no fim, engorda. Trabalhar de madrugada aumenta a quantidade de sorvete ingerido, experiência própria. Durante o mês de setembro passei duas semanas indo na APAE fazer um vídeo de final de ano da turma de necessidades especiais. A professora dessa turma é minha prima, e como as crianças são muito debilitadas e no final do ano tem uma apresentação para os pais, elas em especial não tem como se apresentar, por isso o vídeo. Então, isso foi em setembro, ela precisa do vídeo para o dia 15, daqui três dias, eu comecei ontem. Mantendo minha tradição (mania dos infernos) de deixar tudo para última hora. Na verdade comecei a mais tempo, já cortei imagens, perdi o arquivo, cortei tudo de novo... durante alguns dias fiz o vídeo do Concurso da CNN (que fiquei entre os finalistas, resultado sai dia 23), e depois não mexi mais no projeto. Ontem (re)comecei. E dai que comecei a pensar sobre essa coisa de ser voluntário. Afinal, o que levou a fazer um vídeo sobre voluntariado foi justamente o fato de estar fazendo trabalho voluntário.

   

Não sei bem ao certo quando comecei com isso. Certeza absoluta que foi influência do Escotismo, e também da família. Tem horas que paro para ver o que estou fazendo - ou tenho a fazer - e vejo que mais da metade do meu tempo é dedicado ao voluntariado. O que para alguns pode parecer estranho, trabalhar de graça e fazer disso um estilo de vida. Pois é, pode parecer estranho, mas todos que algum dia fazem isso afirmam que é bom. Bom não apenas no sentido de fazer o bem e ver as pessoas felizes com a sua ajuda, mas bom porque tu está fazendo algo que gosta, está se divertindo, junto com amigos e pessoas que também pensam o mesmo que você e, o principal objetivo, em prol do próximo. Nada do trabalho voluntário que faço é para mim, é óbvio que em alguns casos (principalmente no que envolve o escotismo) há visibilidade, repercussão, e um grande ganho pessoal, mas quem sempre sai com mais pontos positivos de uma causa assim é quem foi atingido com a ação realizada. Já perdi a conta de quantos textos e vídeos já fiz contando sobre ações realizadas no escotismo envolvendo o voluntariado. Os textos todos vêm com essas mesmas palavras como 'alegria, sorriso, ação, ajuda ao próximo, altruísmo" , e ao mesmo tempo em que são todos iguais, são completamente diferentes. Diferentes pois algumas dessas ações são uma tarde de recreação, outras são campanhas para quem perdeu tudo depois de um desastre natural, outros são campanhas mensais de alimentos... menores ou maiores, independente do tamanho da ação, todas têm sua importância. E explicar essa vontade de estar lá fazendo a diferença na vida de alguém, por menor que seja a ação ou o tempo que levar, tem como colocar isso exatamente em palavras? Assista o vídeo abaixo que fala sobre uma escola da Austrália e pequenas ações realizadas para mudar o mundo. 

mude o mundo em cinco minutos, todos os dias

segunda-feira: reciclar celulares antigos
terça-feira: plante sua própria comida
quarta-feira: desligue aparelhos eletrônicos que não usa
quinta-feira: troque ou doe livros e brinquedos antigos
sexta-feira: ria

   

Interessante não é mesmo. Cinco minutos por dia fazem a diferença no mundo. Antes de começar a escrever esse post em meio a tantas atualizações do facebook apareceu um clipe do Seu Cuca, estou faz uma hora quase ouvindo músicas do gênero, e tem uma em que a letra fala bem sobre essa 'coisa' de rotina, fugir do normal, da ilusão de que é tudo trabalho e não tem como se divertir... eu me divirto trabalhando, de graça.

     

"A trilha sonora da vida é a gente que faz"

Depois do Jamboree do Rio fiz um post sobre voluntariado, falando especificamente sobre a função de ser staff em atividades escoteiras. Está publicado no blog do #eusouescoteiropq que pode ser lido aqui.

Sobre o vídeo da APAE, hoje de manhã tinha apenas 52 segundos pronto. Minha mãe querendo ver o vídeo de qualquer maneira, mostrei para ela, 52 segundos, ela chorou. Acho que vai ficar bom :)