No celular. Na fila de espera. Com sono.

Tem hora certa para pensar?
Para escrever?
Para transformar em frases o que esta solto na sua cabeça?
Existe lugar específico para escrever?
Ferramenta correta ou incorreta?
Motivo, causa ou circustancia?
Com fundo musical ou sem?
No frio ou no calor?
Aguardando na fila do banco?
No banco do ônibus?
Na carona do carro?
Em pé ou sentado?
Dormindo ou acordado?
Escrevendo sem pensar ou refletindo sobre a vida?
Tonto ou sobrio?
Feliz ou triste?
Com perguntas ou respostas?
Existe rotina de postagem?
Posts temáticos ou nao?
Com sentido ou sem? 

Sabe, para não prolongar, a única certeza que fica é a de que não temos certeza de nada. 
Tão profundo quanto o oceano, e esse é o fim. 

 No celular. Na fila de espera. Com sono.


Eu devia...

Ultimamente eu só tenho atualizado o blog quando tem algum assunto polemico ou quando não tenho o que escrever. Nesse caso a segunda opção. O que na verdade é uma mentira. Muitas coisas a fazer, entre elas a pior de todas, a procrastinação. Não sabe o que significa? Então assiste o vídeo abaixo.


Bom, de qualquer maneira isso é algo muito ruim. Não que eu esteja ocupado procrastinando. Isso não é algo que você coloca na todolist, "procrastinar após as 15h", nem o mais maluco dos físicos conseguiria explicar um pensamento do tipo. Na verdade comecei esse post com uma lista de coisas das quais "eu devia" estar fazendo. Algumas uteis, outras necessárias, do trabalho, da aula, dos escoteiros, de mim mesmo, outras mais futeis, desnecessárias, tempo perdido. Para dizer bem a verdade vir atualizar o blog em uma situação como essas é o maior exemplo de atividade futil, desnecessário e tempo perdido. Talvez perdido nem tanto, mas no fim me questiono o que ganho com isso a não ser uma recordação no tempo da vez em que parei tudo que estava - ou devia estar - fazendo, para vir escrever sobre o não fazer. Reli esse parágrafo três vezes até entender, sugiro fazer o mesmo.



As vezes é curioso pensar que tudo depende de momentos. Em um dia você está esbanjando alegria no calor de 40C, no outro estava fazendo um post sem inicio nem fim nem sentido nem objetivo nem virgulas tossindo ate o intestino e com dor de cabeça. No outro está em pleno ar, começando a ficar gripado pela mudança de temperatura e produzindo como nunca as cinco da manhã a base de bolachinhas e suco de laranja da companhia aérea. E quando deveria estar produzindo, esta aqui, fazendo outra coisa. E você ai, lendo algo que nem que escreveu sabe o porque está fazendo isso.


E agora é aquele momento mágico em que você clica no vídeo acima e escuta 'algo' francês. E é nesse momento em que se você sabe falar francês tem a obrigação de me ensinar. E é nesse momento em que eu termino o post por aqui. Nada mais a acrescentar. Nem para mim, nem para você, caro leitor. Se quiser (ou conseguir) deixe um comentário. Voltaremos em meio a polêmicas ou então no excesso de tarefas e um minuto de procrastinação lazer.

Sempre Alerta para Servir! ;-)

Esclarecimentos após @ultimomutpio

Tudo bem que podia ser uma brincadeira de primeiro de abril, mas não era...

Seguinte, para quem ainda não sabe, ouvir boatos, críticas, versões diferentes da história, eu explico com todas as palavras: meu notebook foi roubado de dentro da minha mochila no Mutirão Regional Pioneiro em São Sebastião do Cai. Felizmente, já o tenho de volta em minhas mãos e só tenho a agradecer ao Diogo, Gibran, Clã Padawan, toda a Chefia do Taquato que fez o possível e o impossível para recuperar o note antes do final da atividade, a Brigada Militar, Guarda Municipal e Polícia Civil. Peço desculpas caso tenha ofendido alguém suspeitando dos pioneiros presentes, mas até ver a gravação da câmera de segurança as 3h da manhã, eu ainda achava 99% de chance que o autor do roubo seria um escoteiro e 1% seria alguém de fora. Para o bem do Movimento Escoteiro que tanto preza por formar cidadãos de caráter, foi o 1%, que em uma falha de segurança entrou no alojamento e por puro acaso, muito azar, algo pensando, nunca vou saber; teve todo o tempo do mundo para fazer um arrastão em todas a mochilas, porem a única coisa que fez foi mexer na minha e levar apenas o note e nada mais. Ficando dinheiro, carregadores, documentos, câmeras, ipod, leitores de cartão... O assunto agora está sendo tratado pela polícia local que conhece o sujeito e por meio desse reconhecimento conseguiu me entregar o notebook de volta. Sobre isso nada mais tenho a falar. Apenas reforço o agradecimento a todo o Grupo Taquató pelas medidas tomadas enquanto serviço policial após o ocorrido e conseguirem me entregar o note de volta.

Entretanto houveram algumas declarações, comentários, críticas que me incomodaram e penso que é bom esclarecer os fatos para que todos tenham conhecimento e evitem falar besteira ou pensar melhor sobre o que fazem dentro de um Grupo Escoteiro e os cidadãos que estão formando para sociedade.

Tu não trabalha e não faz nada no evento só fica tirando foto
Aos que não sabem, os Escoteiros do Brasil a nível local, regional e nacional possui equipes de comunicação. No RS é chamada de CRIC – Comissão Regional de Imagem e Comunicação, no momento inativa ‘oficialmente’. Eu sendo um dos que tem o escotismo como grande paixão, e cedo muito do meu tempo em prol do movimento, fazia parte da CRIC. Sou estudante de jornalismo, no quinto semestre, e atualmente trabalho em uma produtora de vídeo e na agência de comunicação da Universidade de Caxias do Sul. Realmente, são poucos os eventos como o Mutirão em que me verão segurando uma enxada, fazendo cimento, carregando madeira e “trabalhando”. Minha função em eventos escoteiros é de registrar a atividade com fotos, vídeos, textos, entrevistas, fazer a publicação desse material em sites, blogs, redes sociais, imprensa e repercutir tudo o que o Movimento realiza. Posso não estar “trabalhando” fazendo o trabalho pesado que todos os outros 200 pioneiros faziam, afinal tirar foto é apenas apertar um botão como algumas pessoas diziam. Porém no momento do debandar final a atividade encerra para todos. Eu tenho mais de 400 fotos e horas de vídeos gravados para preparar um material de comunicação do Movimento Escoteiro. Não estou reclamando disso, eu AMO fazer isso. Quem me dera fazer disso meu trabalho diário. Apenas que fique claro, eu posso não estar trabalhando no pesado, mas cada um tem a sua função dentro do Escotismo (lembram dos encargos?). A minha função é essa: COMUNICAÇÃO. Todas as fotos e vídeos das atividades, não só desse Mutirão como de muitas outras, são feitos por mim e uma grande equipe de voluntários que fazem de seu trabalho profissional um grande auxilio ao Escotismo. E foi o próprio Diogo, mestre do Padawan que pediu que eu o ajudasse na comunicação do evento, afinal eles estariam envolvidos com todo o restante da atividade. Peço apenas que antes de criticarem, falarem mal e reclamarem, valorizem e respeitem o trabalho de todos que estão na atividade. Não apenas a mim, mas todos que estiverem em uma atividade exercendo a função de comunicação, respeitem. Todas as lembranças da atividade, exceto aquelas que vão ficar junto de ti, são essas pessoas que irão garantir para o futuro, além é claro de fazer com que a sua cara, o seu trabalho, o seu sorriso em ajudar o próximo, seja reconhecido por centenas de pessoas escoteiras e não escoteiras. Essa é a minha maior alegria em fazer a cobertura dos eventos escoteiros, saber que com o meu trabalho, o trabalho de todos os demais está sendo respeitado, valorizado e reconhecido por muito mais pessoas. O que eu ganho com isso nada mais é que o crédito das fotos e vídeos, e centenas de curtidas, comentários e compartilhamentos, e isso é o que me deixa mais feliz.

Porque ele levou o note?
Como expliquei anteriormente, minha função é de Comunicação. Tenho um notebook de alto valor, que uso para o pessoal, estudos e profissionalmente. Sempre levo para as atividades pois confio na organização, segurança, e nos demais presentes. Infelizmente algumas vezes há falhas, como foi o caso. No que retornei para o alojamento as 18h, enquanto todos iam para o banho, me sentei ao lado da mochila e já ia começar (ou melhor, continuar....) a trabalhar. Passando as fotos e vídeos para o computador e já ir filtrando o conteúdo produzido, mas foi ai que notei o sumiço. Isso pouparia muuuuito do meu tempo durante a semana que teoricamente é muito pouco para o Movimento Escoteiro. Levo o note também pois hoje em dia a maioria das câmeras filmam em HD ou FullHD e aos que entenderem um pouco do assunto sabem que há certas marcas de computadores que facilitam o trabalho de profissionais de vídeo, e justamente por isso são tão caras. Ou seja, porque levei o note? Porque faz parte do meu trabalho. Da mesma maneira que foi pedido e muitas pessoas levaram luvas, martelo, pá, cimento e material para trabalhar, eu levo o note pois é minha ferramenta de trabalho.

Creio que isso tenha respondido alguns comentários que ouvi e realmente desanimam aqueles que tanto gostam do escotismo e utilizam muito do seu tempo trabalhando em prol do movimento.

Sobre fazer ou não Inspeção de Mochilas
Outra conversa que me deixou com um desânimo referente ao escotismo foi sobre fazer ou não uma Inspeção de Giwell, ver as mochilas dos presentes. Como dito anteriormente, durante todo o tempo, por mais de 9horas todas as circunstâncias remetiam a pensar que foi um pioneiro. Alguns Mestres foram contra fazer inspeção, alegando que isso iria ‘constranger, expor ao ridículo e humilhar’ os pioneiros. Que a situação não pedia esse tipo de ação, pois isso só deveria acontecer em Acampamentos Técnicos e previamente avisado. E também poderia que algum pioneiro se sentisse ofendido com isso e ele abrisse um Boletim de Ocorrência contra a organização. Eis alguns detalhes dos quais discuti com algumas pessoas. NUNCA em acampamento técnico é avisado sobre inspeção de giwell, ela normalmente é feita para literalmente tirar doce das crianças e isso não é avisado. SIM, a ocasião pedia uma inspeção, era melhor resolver o assunto dentro do escotismo do que ter que chamar a policia e após se descobrir que foi alguém de dentro do movimento (felizmente não foi) e ficar péssimo para a imagem do escotismo, sem considerar a situação da pessoa hipoteticamente falando. Sobre expor ao ridículo e humilhar por serem pioneiros, pergunto aos chefes que lerem isso: vão continuar fazendo inspeção na mochila dos seus escoteiros e sêniors? Se para um pioneiro, maior de idade, isso é constrangedor, para um jovem de 11, 13, 15, 17 anos isso deve ser muito pior, não? Essa desculpa de constrangimento no Ramo Pioneiro, para mim é dizer que não tem problema em fazer isso com crianças, mas com adultos é perigoso, acho que é bom refletir um pouco sobre isso em vigílias, Indabas, Reuniões de Chefia, e rever alguns conceitos. Além de que, aos que foram contra fazer inspeção por sei lá qual o motivo: e se fosse um pioneiro do seu Grupo? Coloque-se no lugar da vítima, seja leal, e esteja sempre alerta para ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião. Afinal, quem não deve, não teme. Para que fique bem explicado, a festa do Mutirão foi interrompida para que todos voltassem ao alojamento e na presença do Mestre do seu Clã fosse feita uma inspeção, nada foi encontrado já que não foi ninguém dali. Aos que por acaso não gostaram disso, se sentiram ofendidos ou outro motivo qualquer, peço desculpas, mas creio que colocando-se no lugar de quem passa por isso pensariam diferente.

Questões de Segurança
Sobre isso só fica a lição, escondam melhor seus materiais, ou caso não haja necessidade não levem (eu tinha essa necessidade, a explicação você já leu). Aos que forem organizar eventos pensem MUITO na questão da segurança, nada pior do que perder algo que é muito importante para alguém e ter que suspeitar daqueles que são todos teus irmãos.

No mais resta seguir de cabeça erguida, por mais que tenha passado o susto, toda a magia do escotismo aos poucos se perde com algumas atitudes, comentários e críticas. Como sempre falo com o pessoal mais próximo, as vezes quem trabalha incomoda e até hoje ainda não entendi o porque disso. Eu aos poucos me acostumo, as vezes estouro a paciência, mas sei que a minha vontade em ser Escoteiro e honrar a Promessa e a Lei está acima de tudo isso. Agradeço novamente ao Taquató, o pessoal do meu Clã, Kelvin, Rodolfo, Tainã, Erik, Júlio, Ians e João, e do Clã do Imigrante, Rober e Pedro, e a todos que de alguma maneira ou outra concordam comigo em alguns pontos, vieram me pedir como estava e se já tinham descoberto quem foi, e principalmente respeitam a função de cada um na atividade. Aos demais peço desculpas qualquer coisa e vamos cuidar melhor as questões de segurança e a visão de valores para que os mesmos erros não se repitam novamente em eventos futuros.

Sempre Alerta para Servir e fazer o Melhor Possível
Gabriel Rodrigues
Clã Pioneiro Zumbi
Grupo Escoteiro Baden-Powell 179RS

Sobre sair de casa (por mais perto que seja)

Para ser bem sincero, não sei quantas vezes já li, pesquisei, mandei e-mails, fiz o possível e o impossível para sair de casa. Não digo fugir de casa, aquela coisa de guri de onze anos que fica brabo quando a mãe tira o videogame. Digo de sair da zona de conforto, descobrir o mundo, viver o que o mundo tem a oferecer além da rotina casa – trabalho – faculdade – casa. Ser um cidadão do mundo.

Esse não é o primeiro, nem o último, post em que falo da rotina que acabamos caindo dia após dia, e só percebemos isso depois de muuuuuuuuuuuuito tempo, quando já é tarde demais para voltar atrás. Mas claro, só depende de nós mesmos fazermos um dia diferente dos demais. Esse também não é o primeiro, nem o último post, em que não sei exatamente onde quero chegar. Sei que tem duas histórias para contar, a primeira que aconteceu cerca de trinta minutos atrás...

Amanhã, mais precisamente hoje, sexta-feira 23 de março, estou indo para Porto Alegre, retornando no domingo em horário e trajeto ainda não definido. Eis que a ideia inicial era: sair de Caxias 18h30, junto com outros escoteiros, chegar em POA, ir para a sede dos EscoteirosRS onde vai ter o Fórum de Jovens, e de lá ir pro Grupo onde vai ter HOHO. Porém, numa tentativa da maior cara de pau que todo estudante de jornalismo deve ter, entrei em contato com o Executivo Regional da RBS e o professor da Disciplina da qual estou fazendo esse semestre, e que tem um convenio com a RBS, pedindo se haveria a possibilidade de ir sozinho visitar a redação da Zero Hora ou da RBSTV em Porto Alegre e acompanhar um dia do trabalho do pessoal por lá. Na falta de resposta nas primeiras cinco horas após mandar o email, enviei dessa vez diretamente para a Diretora de Redação da ZH que deu uma palestra para a turma na quarta-feira, 21. Em dois minutos ela me respondeu, encaminhou o email de outra pessoa e hoje a partir das 13h posso ir na ZH para essa oportunidade única, que com certeza vai trazer muito conhecimento, experiência e a possibilidade de conhecer novos lugares e novas pessoas. E claro que minha mãe não gostou da ideia. Segundo ela vou perder meu tempo indo lá agora no meio da faculdade, vou ter que faltar um turno de trabalho o que é o fim do mundo, e vou me desgastar indo para POA fazer isso e ainda no final da noite ter o Fórum de Jovens. E aqui entra uma opinião muito particular sobre como as pessoas (as vezes digo que são apenas os caxienses, mas para não generalizar digo as pessoas) vêm o mundo.

Aqui (em Caxias) faltar um período de trabalho, não importando o motivo, é o fim do mundo. Onde já se viu em horário comercial estar correndo no parque, em casa tomando um café, inverter a escala de trabalho e aproveitar um dia de folga quando for necessário. Isso é crime, devemos trabalhar, trabalhar, trabalhar, sob sol, chuva, granizo, no sábado de manhã, a tarde, e se tiver muita coisa pendente até no domingo. E obviamente tem que ter carteira assinada, para provar que trabalha. Minha opinião: quem dera se pudéssemos viver uma vida mais calma, onde trabalhássemos com o prazer de poder desfrutar de momentos de lazer sem que os mesmos envolvam o que fazemos profissionalmente ou tenha alguém nos julgando por não estarmos trabalhando no horário de trabalho.

Carteira de trabalho? Vejo como um atestado de prisão ao emprego em que se encontra. Quantas vezes já ouvi “porque ficar mudando vai sujar a carteira dai ninguém contrata”. Ooh bom, então faço um portfolio online, apresento meu trabalho, adquiro novas experiências e segue o baile. Não vai ser um livrinho azul que me prende à rotina. Sim, posso estar exagerando – provavelmente estou – mas hoje em dia não vejo tanta importância nisso como a história conta que era antigamente.

Enfim, para mim o fato de faltar um turno de trabalho não justifica em nada em como isso possa ser ruim, devido a oportunidade que surgiu de acompanhar um profissional da área em que estudo e pretendo me profissionalizar. Hoje mesmo em uma reunião na Agência da UCS os professores comentavam que em um mundo como o da comunicação, o que realmente importa é o nosso nome, a nossa reputação. E ninguém vai te conhecer, ninguém vai lembrar de ti, caso você não se mostre aos olhos dos demais. Agora se coloque no meu lugar: com toda a iniciativa, interesse e pró-atividade que pouquíssimas pessoas têm hoje em dia, vou ficar uma tarde no trabalho fazendo o que faço todos os dias ao invés de aproveitar uma oportunidade como essa que surgiu? Obviamente que não.


Muitos dos amigos e conhecidos que tenho, os considero “pé no chão”, uma expressão que muitas pessoas amam, mas que particularmente detesto. Maldita a gravidade que nos prende ao chão. Aaah se tivesse como voar, aparatar, usar Pó de Flu! Pés no chão são aquelas pessoas que estão felizes com o trabalho garantido, a carteira assinada, o namoro, a casa, o carro, um happy hour na sexta-feira no final da tarde... olha que bom pra vocês, eu realmente ia adorar ser assim. Mas, felizmente de minha parte, ainda bem que não sou. Pouco me importa o que citei anteriormente, o que me interessa é saber que existe um mundo lá fora com 190 países, 7 bilhões de pessoas, zilhões de oportunidades de conhecer novos lugares, novas pessoas, novas culturas, novos trabalhos, novas realidades, e porque não como diria uma colega das aulas de quarta-feira, novas novidades. Sou viciado em novidades, eu preciso delas. Preciso me renovar musicalmente a cada quinze dias, televisionamente a cada mês, mudar as fotos dos avatares a cada vinte dias. O mundo evolui, as coisas mudam, as pessoas passam, as oportunidades surgem e ficar com os pés no chão é a pior coisa que pode passar pela minha cabeça.

Imagine aquelas cenas de filmes e propaganda onde tem uma pessoa correndo, e a câmera só filma a pessoa na cabeça, de perfil. Atrás da cabeça há uma paisagem passando, e ela vai mudando conforme a pessoa vai correndo, dando a impressão de que é uma rua, e a pessoa corre e a rua segue. Entretanto, ao tirar o zoom da cabeça e pegando o corpo todo, percebe-se que a pessoa corre em uma esteira e a paisagem nada mais é que um vídeo passando. É mais ou menos assim que as vezes vejo o mundo, uma corrida frenética em uma única direção sem estar na realidade correndo ao ar livre, vivendo!, é tudo artificial, tedioso.

E falando então em oportunidades, chego à segunda história que ia falar nesse post. A QUASE viagem para a Patagônia após o Jamboree da Argentina. Como disse no post anterior, não escrevi uma linha sobre a viagem e o Jamboree, então nada melhor do que começar pelo final. Para começar assiste o vídeo abaixo. Assisti ele ontem a tarde, e claro me fez lembrar da QUASE viagem para o fim do mundo...


Entonces, en ultimo dia del jamboree, ha surgido la oportunidad de viajar hasta Patagonia... Uma ideia de malucos, sim! Não é a toa que nesse momento to usando a camisa do Mutirão Pioneiro de Esteio e na frente tem escrita a frase “loucos que mudaram o mundo”. Eu sou escoteiro, e faço parte das 30 milhões de pessoas malucas que mudam o mundo.

No último dia de Jamboree surgiu a ideia de estender a viagem na Argentina e ir para a Patagônia. O curioso disso tudo foi que em questão de horas tudo acontecia de forma que isso fosse dar certo. Estávamos eu e o Pioneiro Felipe de São Paulo pensando em fazer essa viagem, e cada pessoa no campo com quem conversávamos, incrivelmente moravam no sul do país, a caminho da Patagônia. Nada planejado, nada estudado, apenas conversando e já tínhamos casa, comida e contatos por todo o território argentino para realizar essa loucura. Voltando a barraca fui ver quanto ainda tinha de dinheiro, pensando que teria pouco, ainda me restavam R$960,00 na mochila. Ou seja, no câmbio dos pesos argentinos eu estava rico. Passagem aérea de volta já tinha, só teria que mudar a data. Companhia para a viagem também. Fácil seria se a vida fosse uma música e essa fosse o Canto Alegretense, “não me perguntes onde fica o Alegrete – nesse caso Ushuaia – segue o rumo do teu próprio coração”.


Portanto, tínhamos TUDO e ao mesmo tempo NADA para chegar até a Patagônia. TUDO são todas essas coisas que disse anteriormente, NADA era o que no meu caso seria fundamental, o ‘sim’ dos meus pais. Não fico brabo deles terem reclamado, de quase ter matado minha mãe do coração só falando da possibilidade de estender a viagem, o que me irrita e entristece até hoje é o simples fato de que perdi uma oportunidade única na vida. Por mais que minha mãe diga que essa viagem possa ser feita em outra ocasião, em circunstâncias como as que tinham não, essa nunca mais. Nunca mais estarei em clima de Jamboree como naqueles dois últimos dias, nunca mais falarei com as pessoas certas, na hora certa, no lugar certo, nunca mais encontrarei uma companhia maluca que tope fazer uma loucura dessas em devidas circunstâncias, nunca mais aquela oportunidade que deixei passar vai voltar a acontecer.

Sim, voltei pra casa. Eu poderia muito bem ter simplesmente ignorado e colocado a mochila nas costas e ido – não foram nem uma, nem duas pessoas que me disseram isso, foram várias, e continuam falando a cada vez que conto essa história. Porém, quem garante que me aceitariam em casa novamente ehehe. Ou pior, e aí está o que eu acho que é o maior medo dos meus pais, quem garante que eu volte quando disse que ia voltar? Eu tinha uma data para voltar do Jamboree, a ideia era ir para a Patagônia e voltar depois de 10 dias. Mas se lá na ponta houvesse um barco indo para a Antártida com uma vaga sobrando, bem provável que dali uma semana eu postasse fotos no Facebook alimentando pinguins na Base Cientifica do Brasil (aquela que pegou fogo). Pois como eu disse nos primeiros parágrafos desses post: existe um mundo lá fora para ser descoberto. E o escotismo me abre portas que nenhuma outra ‘coisa’ no mundo consegue fazer.

O que quero dizer com tudo isso? Hoje a tarde estou indo para Porto Alegre, sem saber onde, como, porque, com quem, o que farei ao conhecer ao chegar ZH ou o que for. Mas depois da Patagônia de uma coisa tenho certeza, não dá para perder as oportunidades ÚNICAS que aparecem. 00h59 e estou escrevendo a quarta página de word, fonte cambria, tamanho doze. Para quem ontem fez um texto meia boca no Blog para que voltasse a rotina de escrever, para um segundo dia já estar na quarta página é um bom começo.

E repare como nessa última frase me contradisse completamente. Começo o post falando mal da rotina, e agora digo que ‘volto a rotina de escrever’. Sério, nem eu me entendo, vai ver é por isso que esse é um dos posts marcados com a tag ‘loucuras’.

There is not a democracy anymore.

Não, esse post não é sobre política, é sobre The Walking Dead. O personagem principal cujo nome não lembra diz essa frase nos minutos finais do episódio. Terminei de assistir o último episódio da segunda temporada, aquele dos primeiros 17minutos de muita tensão. O detalhe é que comecei a assistir a primeira temporada faz dois dias e só vi até o terceiro episódio. Enfim, para entender melhor a história, nada melhor do que pular uns 15 episódios sem importar-se com o que acontece no meio de tudo. Afinal a história não passa de pessoas sobrevivendo, atirando na cabeça de zumbis, indo de um lado para o outro sem saber o lugar mais seguro para ficar. É como se hoje, 22 de março, eu pulasse alguns episódios lá pro meio de abril e continuasse nessa de tentar sobreviver, atirando na cabeça dos zumbis e indo de um lado pro outro sem sair do lugar.

Quando digo pular uns episódios é porque o que acontece no meio fica entediante, igual, sem sal, sem gosto, artificial que nem cortina fechada em dia de sol e ar condicionado ligado (já disse o quanto detesto os dois últimos?). Então é mais ou menos assim que minha cabeça tem trabalhado nos últimos dias. Fazendo cosplay de Zumbi. \o/ Nessa de se arrastar, procurar por uma motivação em meio ao caos, algo para se alimentar e evitar levar um tiro na testa. Sim, não é o fim do mundo, esse só em dezembro.

Minhocas na cabeça, conhece essa expressão? Então, se não conhece acabei de inventar, não estou lembrado se já existe. Uma que já tem e diz quase a mesma coisa é “com borboletas no estômago”. Na verdade não sei de querem dizer a mesma coisa...

Depois de ler o último parágrafo entendeu porque minhocas na cabeça? Elas estão ali, ou melhor, aqui, entrando, saindo, tipo cabeça de zumbi depois de morto e os vermes fazem a festa. Duas observações: voltei a falar de zumbis, eu disse que o post falava de Walking Dead; “zumbi depois de morto” repare que escrevi isso duas frases atrás, me apresente um zumbi que não seja zumbi depois de morto e ganhe um pacote de 7belo.

00h14 de quinta-feira, 22 de março de 2012. E eu comecei o ano dizendo que ia atualizar o blog com frequência. Eis que até agora não escrevi uma linha sobre Jamboree, Argentina, Uruguai, Montevideo, brasileiros fazendo filas desnecessárias, albergues estranhos, primeira viagem de avião, perdido em Mar del Plata, viagem frustrada pra Patagônia e tantas outras histórias que te fazem querer voltar no tempo a cada segundo que passa. Esse mesmo segundo que gastei, depois de perdido é um gasto, assim como dinheiro mal aplicado. Continuando, os segundos que perdi na bolsa de valores do tempo servem para lembrar a maneira com a qual tenho utilizado cada um dos 86mil400segundos diários que temos direito. Quantos desses segundos já viraram passado ao som de “ai se eu te pego, delícia, delícia, assim você me mata” tal como os que estão passando pelo relógio nesse exato momento em que escrevo essa parte...

Ta, e os zumbis Gabriel, não vai mais falar deles? Vou sim, até mesmo porque amanhã estarei fazendo cosplay dos mesmos, não só pelas características ditas acima, mas principalmente pela cara de sono, acabado e com olheiras dignas de um campeão, um zumbi campeão, o que é para poucos. Esse texto não vai ter revisões, portanto sinta-se a vontade para não entender o que escrevi. Compartilharei contigo essa mesma sensação quando ler esse post em um futuro próximo.

Então, para terminar, vou pensando em outros posts, acrescentar mais itens a To do List interminável de coisas desnecessárias, continuar cantando Olly Murs por mais alguns segundos e torcer para que o dia de amanhã seja melhor que o de ontem e pior que o de depois de amanhã. E não pense que isso é pessimismo, já diz Tom Fletcher “just remember to smile, smile, smile...”. É só um período de inversão de valores – mentira – só não achei um termo melhor para usar. E como diria o xerife, this is not a democracy animore, algumas coisas têm que mudar...